Rede Mater Dei abre em Minas o 1º centro de referência focado em cognição e envelhecimento cerebral
- 16 de abr.
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CIME oferece abordagem integrada para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de demências, incluindo acesso a terapias como o Donanemabe.
06 de fevereiro de 2026

O TEMPO Saúde e Bem Estar
A Rede Mater Dei inaugurou o Centro Integrado de Memória e Envelhecimento (CIME) na unidade Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Conforme o hospital, este é o primeiro centro de referência em Minas Gerais dedicado exclusivamente à saúde cognitiva e ao envelhecimento cerebral.
Estima-se que cerca de 3 milhões de brasileiros convivem com a Doença de Alzheimer e outras demências. A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que o número de casos no mundo pode triplicar até 2050.
Estruturado segundo padrões de excelência em neurologia, o CIME foi criado com a missão de auxiliar pacientes a compreenderem melhor suas funções mentais, prevenir perdas de memória e promover um envelhecimento com mais autonomia, lucidez e qualidade de vida.
O atendimento é baseado em uma abordagem integrada, que reúne avaliação médica especializada, neuropsicologia, exames avançados de imagem, possibilidade de realização de biomarcadores, como análise do líquor e PET-amiloide, e discussão multidisciplinar dos casos.
De acordo com o neurologista e um dos coordenadores do CIME, Henrique Dutra, o serviço foi concebido como um centro especializado em saúde cerebral e desempenho cognitivo, e não apenas como um ambulatório de neurologia geral.
“Nosso diferencial está no modelo integrado. Reunimos, em um único fluxo, toda a estrutura necessária para oferecer diagnósticos mais precisos, planos de cuidado personalizados e, quando indicado, acesso a terapias inovadoras. O foco não é apenas tratar doenças, mas promover longevidade cognitiva, autonomia e qualidade de vida”, afirma.
A atuação do CIME está organizada em três frentes principais: prevenção de fatores de risco modificáveis na fase pré-demência, diagnóstico precoce e ágil, e tratamento individualizado de transtornos cognitivos em diferentes estágios.
Acesso a terapias inovadoras
Entre os diferenciais do novo centro está a possibilidade de aplicação do Donanemabe, terapia indicada para a doença de Alzheimer em fases iniciais. O medicamento atua reduzindo o acúmulo de beta-amiloide no cérebro, proteína associada ao desenvolvimento da doença.
Segundo o coordenador, o tratamento não é indicado para todos os pacientes. “Ele é recomendado apenas para pessoas com Alzheimer inicial, após confirmação diagnóstica por exames específicos e avaliação criteriosa de elegibilidade. No CIME, todo esse processo é feito com acompanhamento rigoroso, desde a seleção do paciente até o monitoramento durante o tratamento”, explica.
Apoio a familiares e cuidadores
A proposta do CIME também inclui atenção especial aos familiares e cuidadores, considerando que o impacto das demências vai além do paciente. “Oferecemos orientação clara sobre o diagnóstico, o prognóstico e as estratégias de cuidado, além de suporte psicossocial e acompanhamento contínuo”, destaca o neurologista.
De acordo com ele, o objetivo é auxiliar as famílias a compreenderem melhor a doença, se organizarem na rotina e reduzirem a sobrecarga emocional, promovendo um cuidado mais humano, informado e sustentável. “A tarefa da família é árdua e o empenho de todos é muito importante. Devemos criar estruturas flexíveis capazes de acomodar as mudanças necessárias e de nutrir o bem-estar e crescimento de cada um dos envolvidos”, reforça.
Quando procurar avaliação
Henrique Dutra esclarece que pequenas falhas de memória são comuns com o avanço da idade, como esquecer nomes ou compromissos e depois se lembrar. “O sinal de alerta surge quando essas dificuldades passam a interferir na rotina, no trabalho ou na vida social”, alerta.
Entre os principais sinais que indicam a necessidade de avaliação estão esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, dificuldade para se orientar em lugares conhecidos, alterações de linguagem, mudanças de comportamento e perda de autonomia.
O neurologista destaca ainda que uma parcela significativa dos casos de demência pode ser adiada ou até evitada com medidas adotadas ao longo da vida. “Existem fatores de risco modificáveis, como hipertensão, diabetes, sedentarismo, isolamento social, baixa escolaridade, depressão, perda auditiva, tabagismo e obesidade. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular, manter-se mentalmente ativo, praticar atividade física, ter uma alimentação equilibrada e preservar vínculos sociais são medidas fundamentais”, afirma. Segundo ele, o CIME atua justamente com essa visão preventiva, orientando cada paciente de forma individualizada.
No centro, a equipe multidisciplinar do Mater Dei Santo Agostinho auxilia a diferenciar o que faz parte do envelhecimento saudável daquilo que pode indicar um problema cognitivo que necessita de investigação, sempre com foco na prevenção e no tratamento precoce.





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